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domingo, 1 de novembro de 2009

Harmonização #19 - Cerveza Schneider Rubia (CCU Argentina) com "Canciones con Fundamento" (Mercedes Sosa)

Amigos, nas últimas semanas, devido mudança de cidade, não pude comprar novas cervejas para degustação. Neste feriado resolvi fazer um estoque para garantir as postagens deste mês.

Hoje falarei sobre a cantora argentina "Haydée Mercedes Sosa", de 74 anos, que morreu no último dia 4 em Buenos Aires em consequência de uma doença hepática que piorou por complicações respiratórias. Sosa foi uma das intérpretes mais conhecidas da música regional latino-americana e uma das artistas mais famosas na Argentina depois de Carlos Gardel e Astor Piazzolla. Seu segundo disco, "Canciones con Fundamento" de 1965, mostrou ao mundo os lampejos de personalidade que a transformaram na voz de todas as vozes.

Para esta harmonização escolhi a "Schneider Rubia" (da fabricante "CCU Argentina"), uma cerveja autêntica, que possui equilíbrio entre cor, aroma e sabor, caracterísitcas das melhores cervejas Lager.

“Chacarera del 55” inicia ao som do violão e demonstra o que era o folk argentino dos anos 60. Já a cerveja tem uma bela cor levemente dourada e um leve aroma de maltes e cereais.

As músicas “El cachapecero” e “El cosechero” seguem a mesma toada, reforçando o aspecto de música de raiz do álbum. Enquanto a voz de Mercedes Sosa começa a se destacar, temos o primeiro contato gustativo com a cerveja. Ela possui carbonatação média e leve sabor com ligeiras notas de malte.

A voz e violão dão novamente as caras em “El viento duende”, faixa de grande energia e carisma. Já a cerveja Rubia possui discreto amargor no final, que persiste por pouco tempo na boca.

“La de los humildes” é uma das músicas mais belas do disco. Nela Sosa já dava mostras que seria uma voz que representaria seu povo. Uma nova taça traz à tona a beleza da espuma, branca e de bela formação.

Em “La zafrera”, mais uma vez nos encantamos com a imponente voz de Mercedes Sosa, enquanto que em “Los inundados” nos sentimos no interior da Argentina, nas vilas que margeiam os rios Paraná e da Prata. Uma bela paisagem para a refrescância desta cerveja.

“Zamba de la distancia” e “Zamba del riego” fecham o álbum e nos fazer entender um pouco o mito Mercedes Sosa. Não é o meu estilo de música predileto, mas ao ouvi-la senti um misto de respeito, gratidão e pesar pela sua recente morte. Assim como a cerveja Schneider Rubia, vale a pena conhecê-la.

Dicas e curiosidades:

* A "CCU ou Companhia Cervejeira Unidas" é um grande grupo chileno do setor de bebidas na América do Sul. A empresa é controlada pelos grupos Luksic (Quiñenco) e Heineken;

* A Schneider é produzida na Argentina desde 1912;

* A cerveja, na embalagem lata de 473 ml, custa aproximadamente R$ 4;

* O CD importado “Canciones con Fundamento” pode ser encontrado na Internet por aproximadamente R$ 30;

* Sosa era chamada carinhosamente por "La Negra". Para alguns devido aos seus longos cabelos escuros. Para outros, por causa de sua ascendência ameríndia (relacionada aos habitantes da América antes da chegada dos europeus). Também era conhecida como "a voz da maioria silenciosa", por sua defesa dos pobres e sua luta pela liberdade;

* O álbum foi originalmente lançado em 1965, no selo independente de seu marido "Manuel Oscar Matus";

* Aos 15 anos de idade, "Mercedes Sosa" debutou e venceu, sob o pseudônimo de "Gladys Osório", um concurso organizado pela LV12 "Radio Tucumán";

* O disco “Canciones con Fundamento” é uma compilação de músicas folclóricas da Argentina;


domingo, 9 de agosto de 2009

Harmonização #11 - 1795 (Budejovicky Mestansky Pivova) com "Meditace / Kingdom Of Life" (The Blue Effect)

Esta semana farei uma homenagem ao país onde se originou a cerveja Pilsen. A escolhida da semana é a “1795", da cervejaria “Budejovicky Mestansky Pivova”, a mais antiga cervejaria da região da Boemia, República Checa, fundada em 1795.

A cerveja pilsen é conhecida por ser leve e descer fácil. O difícil foi encontrar uma banda checa que chamasse minha atenção. Neste momento deixo clara a influência do meu gosto pessoal, pois até tive contato com algumas bandas interessantes ("Fast Food Orchestra", "Lucie", "Pilsner Oiquell") que não acrescentaram muito a minha paixão musical. Estava quase desistindo quando encontrei a banda “The Blue Effect”.

Fundada no final de 1968 pelo baixista "Jiří Kozel", pelo guitarrista, flautista e cantor "Vladimir Mišík" e pelo baterista "Vlado Čech", o grupo ainda contou com a presença do guitarrista "Radim Hladík" no lançamento do primeiro álbum, “Meditace”. O disco é bastante interessante, pois além de ser o trabalho inicial da banda, teve uma versão com suas as mesmas músicas em inglês sob o nome de “Kingdom Of Life”.

A primeira música “Paměť Lásky / Kingdom Of Life” é quase toda recitada com diversas vozes ao longo da faixa. Ótimo momento para buscar a cerveja gelada.

Já “Blue Efect Street/ White Hair” diz no ato a o que veio. A guitarra já se mostra presente nos primeiros acordes e não sai mais da cabeça. Música muito boa, com ótima parceria entre voz e instrumental. Sensacional. A cerveja é dourada e possui agradável aroma de lúpulo e maltes, próximo ao das cervejas Lagers Premium. Espuma branca é bela e consistente, mas diminui rapidamente.



A agitação diminui inicialmente em “Fénix / You'll Stay With Me”. Leve dedilhado e lenta melodia. Ótimo momento para o primeiro gole. Sinta a refrescância e a leveza desta autêntica cerveja Pilsen, que combina muito bem com o início da música. O forte e interessante amargor se mostra presente enquanto a energia da canção renova a vontade de mais um “trago”.

“Stroj na nic / Brother's Song” já começa nervosa. Mais uma vez a guitarra mantém a animação no ápice. Algumas pitadas de “Blues” tomam corpo, enquanto “Eric Clapton” e o “Power Trio” do “Cream” surgem na mente. Aparece também o corpo macio, a textura leve e a média carbonatação da cerveja.

“Sluneční hrob / Sunny Grave” é linda e breve, assim como a cor e o copo da “1795”. Ótimo “drinkabillity”.

O blues “Little Girl” mostra que a flauta pode substituir a gaita. Não formalmente com a mesma característica, mas de um jeito anos 70, mais relax. A cozinha mantém o ritmo das coisas no lugar certo, enquanto a garrafa inconscientemente perde líquido para a taça.

Outra música muito boa é a “Deserted Alley”. A voz e o jeito de "Mišík" remetem aos versos de "Mick Jagger" e dos "Rolling Stones". Muito legal, belo balanço, boa diversão...



“Blues About Stone” é um clássico blues (até em sua longa duração) com uma pitada de rock progressivo (semente plantada que renderia frutos para a banda no futuro). Ótimo momento para reflexão. Vale a pena ressaltar a forte presença da voz de "Vladimir Mišík", numa bela parceria com os demais instrumentos. Boa hora também para aproveitar e ir ao banheiro.

A música “Rainy Day” retorna a um ambiente mais rock & roll. Ótima combinação entre a linha do baixo e bateria, assim como entre o lúpulo e o malte de cevada. Presença da guitarra no refrão e no encerramento é perfeita.

“Where Is My Star” finaliza o disco com um ar bastante setentista.

Depois do meu segundo post (França, semana de 07 a 13 de junho), esta foi minha maior descoberta musical neste blog.

Chame seu pai para esta degustação, feliz dia para os atuais e futuros pais e ótima diversão!!!

Dicas e curiosidades:

* Esta é uma tradicional cerveja Pilsen. Pegue seu copo preferido e se divirta. Deguste esta cerveja com temperatura do líquido entre 0 e 4 °C;

* O nome pilsen é derivado de Pilsen, nome alemão da atual cidade de "Plzeň", localizada na República Checa, onde este estilo de cerveja foi originalmente produzido;

* A cervejaria “Budejovicky Mestansky Pivova” produz e prepara seu próprio malte, utiliza o famoso "lúpulo de Saaz" e água de fonte própria retirada de mais de 270 metros abaixo da terra;

* Desde 2004 a União Européia decretou o uso do termo "Budejovické Pivo" (Budweiser Bier) como D.O.C, afirmando que a qualidade superior da cerveja está intimamente ligada à região onde é produzida;

* A cerveja “1795” em sua versão 500 ml custa aproximadamente R$ 10;

* A versão importada do CD custa aproximadamente R$ 60;

* O disco “Meditace/Kingdom Of Life” foi relançado 2 vezes nos anos 90 com várias faixas bônus;

* O segundo álbum da banda é uma fusão de rock e jazz com o grupo Jazz Q Praha. Ele se chama Coniunctio;

* A banda teve que mudar o nome nos anos 70 para "Modrý Efekt", devido ordem do governo comunista.

domingo, 14 de junho de 2009

Harmonização #3 - Eisenbahn Pilsen Natural (Eisenbahn) com "Estudando o Samba" (Tom Zé)

Amigos, neste feriado resolvi falar do Brasil. A cerveja sugerida é a Eisenbahn Pilsen Natural, que segue um caminho único frente às cervejas pilsen (paixão nacional), pois é a primeira orgânica do Brasil (feita com ingredientes sem agrotóxicos e fertilizantes sintéticos). Lançada em maio de 2004, possui a certificação IBD - Instituto Biodinâmico, que fiscaliza a comercialização de produtos orgânicos nacionais, de acordo com normas internacionais.

Já o artista é o cantor, compositor, arranjador e ator Tom Zé, uma das figuras mais originais e controversas da MPB. Após fazer parte do grupo que em 1968 lançou o disco "Tropicália ou Panis et Circensis", Tom Zé conseguiu o primeiro lugar no Festival da Canção do mesmo ano com a música "São, São Paulo, Meu Amor". Seus discos seguintes foram considerados inovadores demais, o afastando da mídia brasileira. No fim da década de 80, o músico David Byrne redescobriu num sebo o disco "Estudando o Samba", levando o compositor para o mercado internacional com grande sucesso. Este disco de 1976 é a sugestão para a harmonização da semana.

“Estudando o Samba” interpreta o ritmo brasileiro de um jeito bastante original e usando experimentações muito avançadas para a época. “Mã”, a primeira faixa, traz à tona a cantiga de roda, que será bastante abordada ao longo do disco. A Eisenbahn Natural, no primeiro gole, mostra sua maior virtude: o suave sabor, associado ao aroma e ao residual (gosto que permanece na boca), característicos da cevada.

Mesmo no momento mais “tradicional” do disco, Tom Zé entrega novos compassos à canção “A Felicidade” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. No final da música, o batuque do samba nos presenteia com um belo swing, enquanto a cerveja nos remete mais uma vez a sua leveza.

Na instrumental “Toc”, o artista dá uma amostra do que ocorrerá no restante do disco: experimenta o samba, direcionando o retorno ao mesmo, por um caminho ligeiramente mais complexo. A cor da cerveja se mostra um pouco mais dourada que as demais pilsen. Experimente de novo...

“Tô”, uma das mais conhecidas músicas deste álbum, possui uma letra irreverente, cheia de contradições. O lúpulo da Eisenbahn se mostra no amargor da mesma, levemente presente e bem combinado aos demais ingredientes.



“Vai (Menina Amanhã de Manhã)”, “Ui! (Você inventa)” e “Dói” são músicas que elevam o disco a um brilhante patamar. As brincadeiras com as letras, os jogos com as palavras, a ambiguidade das frases (mais uma vez contraditórias) tornam este um forte momento do trabalho do cantor. As cantigas de roda aparecem novamente e a diversão parece não se acabar. Coloque a cerveja novamente no copo e avalie a formação da espuma. Branca e consistente, ela possui boa duração e nos convida a mais um brinde.

A canção “Hein” é divertida, simples e nos remete a várias situações nas quais nos fazemos de desentendidos. O disco está quase no fim. A cerveja também... hein?



Então, aproveite esta interessante combinação brasileira e... bom divertimento!

Dicas e curiosidades:
* A recomendação da fabricante é degustar a cerveja entre 2 e 4 °C.

* O Brasil é um dos países onde mais cresce a produção orgânica no mundo (30 a 50% ao ano).

*A cerveja Eisenbahn Pilsen Natural, encontrada na garrafa de 355 ml, custa aproximadamente R$ 3,89 nos supermercados.

*O álbum “Estudando o Samba” foi lançado na série dupla “Clássicos da MPB - Série Dois Momentos”, junto com o disco “Correio da Estação do Brás”.

* Você acredita que Tom Zé, incerto da aceitação por parte do público, teria cogitado não lançar o disco? Foi o que afirmou Elton Medeiros, sambista e compositor de algumas canções deste CD.


* “Estudando o Samba” ficou em 35º lugar no ranking dos 100 melhores discos da música brasileira (eleição realizada pela revista Rolling Stone Brasil em Outubro de 2007).