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domingo, 11 de outubro de 2009

Harmonização #18 - Super Bock Abadia Rubi (Unicer) com "AreYou Ready for the Blackout?" (X-Wife)

Neste feriado irei harmonizar música e cerveja dos nossos irmãos portugueses. Ainda não havia postado nada sobre nossos colonizadores e me surpreendi positivamente com a qualidade da música e a divertida interatividade do site da marca.

A banda escolhida é a X-Wife da cidade de Porto, que iniciou suas atividades em 2002 pelas mãos de João Vieira, também conhecido por DJ Kitten (voz e guitarra da banda). Rui Maia (sintetizadores e bateria) e Fernando Sousa (baixo) completam a banda. O terceiro álbum "AreYou Ready for the Blackout?" é rock, eletrônico, direto, experimental e revela-se mais pensado, vindo de um grupo mais maduro que sabe bem o que quer.

A cerveja selecionada é a Super Bock Abadia Rubi (cervejaria Unicer), uma ruiva ligeiramente doce e com 6,8% de teor alcoólico. Segundo o fabricante ela é ideal para acompanhar os sabores das carnes vermelhas, assados e pratos tradicionalmente fortes.

“On the Radio”, música que abre o disco, é o grande single do mesmo. O refrão é hipnótico, nos fazendo bater o pé no chão e chacoalhar a cabeça, controlando o ritmo com a levada das guitarras e do sintetizador. A apresentação visual da cerveja também é muito boa. O formato da garrafa chama muito a atenção, assim como a coloração cobre avermelhada, com creme bege claro de boa formação e média duração. Já o aroma é muito suave e não traz grandes percepções.



A segunda faixa"Summertime Death", traz à tona o som festivo do álbum. As guitarras novamente aparecem controlando as ações e elevando a energia da festa. Os riffs de “Headlights” também são fundamentais para a degustação completa do som. Enquanto isso, a bateria tradicional traz uma pitada disco, realçando a canção. O malte (caramelo) se sobressai sobre o lúpulo, redundando num sabor suave e um amargor médio/baixo.

“Black Tears” traz um rock mais contido, que de forma intrigante nos traz uma maneira nova de olhar o estilo dos X-Wife. A temperatura mais alta do que geralmente tomamos uma cerveja pilsen, também favorece uma nova percepção. Um sabor mais adocicado e uma maior percepção de álcool com baixo amargor.

“Heart Of The World” para mim é a música que melhor representa a banda. Sintetizador e bateria fazem uma parceria contundente, enquanto a guitarra renasce após o refrão para se fazer muito bem presente. O sabor maltado também aparece, deixando um aftertaste doce e levemente exagerado.

Já a música que mais me chamou a atenção foi “Good Times”. Guitarra sem distorção, vocal numa espécie de “falsete”, sintetizador presente mais uma vez e bateria leve. Sensacional para harmonizar com uma cerveja nova e diferente.



“Fantasma” é interessante se ouvida à meia luz ou no escuro. Seria uma boa trilha sonora para um filme de terror futurista. Sua porção mais eletrônica e seu canto final são uma ótima combinação. O teor alcoólico e malte reforçam o adocicado gosto residual e destacam a parceria.

Próxima do fim, “Fireworks” é muito boa. Parece um strokes com mais ginga. O som continua mergulhado numa mistura do final dos 70 com início dos 80, reforçado na faixa com uma bateria que preenche muito mais o som e lhe dá um toque mais analógico. A cerveja não possui alto drinkabillity, mas sugere uma boa oportunidade para degustação.



Como eles próprios dizem na última musica, "I've got nothing else to prove". Realmente não têm mesmo. Ótima harmonização e diversão!!!

Dicas e curiosidades:

* Deguste a "Super Bock Abadia Rubi" com temperatura do líquido entre 5 e 7 °C;

* O site da cervejaria é o http://www.superbock.pt/. Nele é possível ter informações sobre cinema, música e festivais, além de participar de promoções e conhecer os pratos que melhor harmonizam com as cervejas da fabricante.

* Ela patrocina o “Super Bock Super Rock”, um festival de música de Verão realizado anualmente em Portugal. Organizado desde 1995, é atualmente um dos mais importantes festivais de música do país.

* A cerveja em sua versão garrafa 330 ml custa aproximadamente R$ 6. Aos amigos de Pirassununga, informo que fiz a compra no supermercado Covabra. Aproveitem;

* O CD importado é encontrado na internet por aproximadamente R$ 50;

* O single “On The Radio” conta com a participação de Raquel Ralha dos WrayGunn.

* A banda tocou no “Super Bock Super Rock” em 2004 no palco secundário e em 2007 no palco principal;

* Suas músicas são todas compostas na língua inglesa.

domingo, 23 de agosto de 2009

Harmonização #13 - Vedett Extra White (Brouwerij Moortgat) com "Satélites" (Hollywood Porn Stars)

Pessoal, nos últimos finais de semana fiquei muito feliz com a repercussão do blog. Agradeço todo apoio e espero continuar atendendo a expectativa de vocês, tanto nas dicas musicais quanto cervejeiras.

Nesta semana falarei sobre a Bélgica, onde excelentes cervejas são fabricadas. Aproveito para adiantar que agradeço a dica/sugestão dos amigos Camilinho e Clarissa sobre a "Trapista Chimay", sendo que ela estará com certeza em um futuro post. No entanto, hoje indicarei uma que tem nome de estrela e realizou uma iniciativa de marketing bastante criativa (veja nas “Dicas e curiosidades” ao final do blog): a belga de trigo “Vedett Extra White”, da “Brouwerij Moortgat”, cervejaria que também produz as cervejas "Duvel, Bel Pils e Maredsous".

Formada em 2002, a banda da semana é a “Hollywood Porn Stars”. Composta por "Anthony Sinatra" (voz e guitarra), "Michael Larivière" (guitarra e vocais), "Eric Swennen" (baixo) e "Benoit Damoiseau" (bateria), lançou seu segundo álbum "Satélites” em 2007, tema deste blog.

“Andy” começa com a guitarra despejando distorção, sendo uma ótima música para iniciar a degustação. Não perca tempo, pegue sua cerveja e uma taça própria para cervejas de trigo. O aroma da “Vedett” não chega a ser dos mais agradáveis, mas acho interessante a cor turva das cervejas de trigo. Desde o meu primeiro contato com cervejas deste tipo, esta característica remete a algo mais natural.



“Islands” segue no mesmo pique da música anterior, sendo mais simples, mas bastante eficaz e direta. A cerveja possui um gosto pronunciado de uma cerveja de trigo. Para aqueles que nunca experimentaram uma cerveja assim, o primeiro contato causa estranheza.

A primeira música lenta se chama “Crimes”. Nela o “Hollywood Porn Stars” aparece uma ligeira influência do "Coldplay", fazendo com que haja espaço para uma melhor percepção da cerveja. Apesar de a espuma destoar do todo (aparentemente separada do líquido), o sabor é bastante agradável, reforçando a lembrança da presença do trigo.

Em “Young Girls” a guitarra chamou minha atenção. Não por ser exemplo de virtuose, de força ou de energia. O que me impressionou é que de forma simples, sem fazer alarde, ela comandou a harmonia da música. Apesar do sabor pronunciado, o teor alcoólico da cerveja é baixo (4,7% alc./vol), o que possibilita maior drinkabillity.

“Diamond” é literalmente brilhante. Os riffs da guitarra dão o direcionamento correto à voz, que rege a melodia como um maestro. Aos poucos a cerveja fica um pouco mais amarga, com aftertaste mais presente.

Outra bela música é “Perfect Storm”, que possui um refrão crescente que cola no ouvido acompanhado pelo “órgão de igreja”, após ótima chamada da bateria. Voz e guitarra finalizam a música de forma encantadora.



“Calling the Ghosts” não fica atrás e agrada pela interessante harmonia e combinação entre o instrumental e os vocais. Ótima também é a combinação dos ingredientes naturais da cerveja.

“There´s a God” encerra o disco com energia, pontuada pela ótima presença do piano, enquanto a cerveja “Vedett” insinua a grande oportunidade que temos em conhecer as demais marcas comercializadas pela belga “Brouwerij Moortgat”.

Dicas e curiosidades:

* Para as cervejas de trigo não-filtradas como é o caso da "Vedett", o ideal é ter um copo que receba todo líquido, o fermento que fica depositado no fundo e a espuma. Para aproveitar a levedura do fundo ao copo, basta ao término da garrafa deixar um pouco no líquido na mesma, agitá-la e servir;

* A Cerveja de Trigo geralmente é feita com malte de trigo, malte de cevada, lúpulo e levedura;

* Acesse o site da marca (http://www.vedett.com) e envie uma foto para aparecer no rótulo da cerveja. A "Vedett" que comprei nesta semana, veio com o rótulo normal na frente e uma fotografia preta e branca no verso. Basta enviar a foto e aparecer estampado na garrafa;

* A cerveja “Vedett Extra White” em sua versão 330 ml custa aproximadamente R$ 30;

* A versão importada do CD custa aproximadamente R$ 70;

* O disco “Satélites”, foi gravado em apenas doze dias;

* A banda gravou trinta músicas, mas apenas doze fizeram parte deste álbum. No ano seguinte foi lançado o disco “Beside The Satellites”, contendo algumas das músicas gravadas no ano anterior;

* Neste sábado (29/08), tocarei com a minha banda em Itu (interior de SP), no StudioCar. Não perca!!! Maiores informações acesse http://www.studiocar.com.br/

domingo, 19 de julho de 2009

Harmonização #8 - 8.6 Special Red Beer (Bavaria) com "Palomine" (Bettie Serveert)

Novamente me rendi ao poder das vozes femininas. A dica de harmonização desta semana traz um agradável encontro entre duas ruivas holandesas.

A cerveja é a Bavaria 8.6 Special Red Beer, do tipo Barley Wine (também conhecido por Malt Liquor). Ela possui uma bonita cor avermelhada como as bocks e um teor alcoólico de 7,9% vol. alc.

Já a indicação musical é “Palomine”, o álbum de estréia da banda “Bettie Serveert”. Formada em 1990, na cidade de Amsterdã, a banda tem como integrantes Carol Van Dijk (uma das ruivas holandesas citadas no primeiro parágrafo), Peter Visser , Herman Bunskoeke e Berend Dubbe. Seu pop/rock de canções simples e melódicas, foi bem recebido no circuito alternativo americano, o que estimulou o lançamento de outros sete discos ao longo dos últimos catorze anos.

A primeira música é "Leg". A voz de Van Dijk e a deliciosa combinação com a guitarra, baixo e bateria, anunciam uma interessante degustação. Busque a cerveja na geladeira, coloque a mesma na taça, aprecie a coloração âmbar e a formação da consistente espuma bege.

“Palomine” começa lenta, suave e doce. Mais uma vez a vocalista rouba a cena com o enérgico refrão, fazendo com que toda a música ganhe força na segunda parte. A 8.6 também possui um início doce e suave. Seu amargor aos poucos toma conta da boca, deixando um “aftertaste” doce e ao mesmo tempo ligeiramente amargo.



Em "Kid's Allright", a voz é firme e direta, é Rock and Roll...A melhor música em minha opinião, com uma ótima levada da bateria. Lembrei-me do grande amigo de pinga e de banda Gabriel, baterista, cachaceiro e aniversariante da semana. Parabéns amigo!!! Um brinde, com esta mistura exótica de notas de malte e caramelo.



“Tom Boy” também é muito boa. Nesta música, a guitarra nos presenteia com uma melodia leve e ao mesmo tempo divertida. Mais uma vez a voz e os instrumentos formam um casamento perfeito. Mais uma taça e o aroma percebido é bem frutado e tostado. Também uma ótima relação entre ambos.



A música “Balantine” remete a um som de garagem, bem cru, que se mantém melódico e muito bem feito. Da mesma forma que a música, o teor alcoólico é alto, forte, mas aceitável e muito bem entrosado com o sabor adocicado do malte.

“This Thing Nowhere” e “Healthy Sick” mantêm a característica rústica deste pop/rock agradável. A cerveja acaba tendo o drinkability um pouco prejudicado pelo adocicado, no entanto, encanta pela sensação alcoólica sem ser excessivamente carregada.

Por fim, em “Sundazed To The Core” a incansável voz de Carol Van Dijk nos chama para a parte final da festa. O encerramento da música é um belo “grand finale”.

Aproveite esta dica, conheça os demais discos da banda e boa diversão!!!

Dicas e curiosidades:

* Prefira as taças de boca mais larga a fim de que o aroma se desprenda mais facilmente durante a degustação. Cuide também da temperatura. Deguste esta cerveja com temperatura do líquido entre 4 e 7 °C;

* A cerveja Bavaria 8.6 Special Red Beer em sua versão Lata 500 ml custa aproximadamente R$ 8;

* No site da cervejaria holandesa existe uma ótima rádio online (http://www.bavaria86.com/). No momento que realizei o acesso estavam disponíveis músicas do Muse, Prince, Smashing Pumpkins e King Khan & The Shrine (provavelmente estarão em futuros posts).

* Disponível pela internet apenas a versão importada do disco, por aproximadamente R$ 50;

* “Bettie Serveert” significa em português "Bettie serve", nome de um programa de televisão, apresentado por Bettie Stöve, tenista holandesa que perdeu em Wimbledon, na final de 1977.

domingo, 21 de junho de 2009

Harmonização #4 - Old Speckled Hen (Greene King) com "The Stone Roses" (The Stone Roses)

Pessoal, a cerveja a ser degustada nesta semana é a "Old Speckled Hen", produzida pela cervejaria inglesa "Greene King" que mantém a liderança do mercado “premium ale” no Reino Unido. A cerveja é conhecida e classificada como uma "English Pale Ale ou Extra Special Bitter (ESB)", devido característica de maior amargor frente às demais cervejas.

Também é originário da Inglaterra o primeiro LP (homônimo) da banda “The Stone Roses”, que teve como formação clássica Ian Brown (Vocal), John Squire (Guitarra), Gary “Mani“ Mounfield (Baixo) e Alan “Reni” Wren (Bateria). O grupo surgiu na metade da década de 80 em Manchester, cidade inglesa que até hoje é vista como cidade origem do Britpop (abreviação de "British Pop", estilo de músicas de rock com arranjos tipicamente radiofônicos). Bandas como “Oasis”, “Happy Mondays”, “Joy Division”, “Smiths”, “Simply Red” e “New Order” deram seus primeiros passos no local, reforçando a importância da cidade para o cenário musical britânico.

Apenas dois discos foram lançados pelo "The Stone Roses", sendo o primeiro em 1989 e o segundo, “Second Coming”, cinco anos depois. A crítica foi mais positiva para o primeiro álbum, destacado neste blog para a harmonização.

“I Wanna Be Adored” apresenta a banda e mostra seu desejo. “Eu não tenho que vender minha alma...Eu quero ser adorado”. Enquanto Ian Brown compartilha este sentimento, é o momento de conhecermos a "Old Speckled Hen". Quando a colocamos na taça, percebemos que esta cerveja possui coloração âmbar e uma espuma bastante consistente.




Enquanto iniciamos a degustação da cerveja inglesa, “She Bangs the Drums” surge. Além da bateria, a guitarra é peça importantíssima da engrenagem. É uma boa música dançante para se curtir com uma ótima companhia. Nos primeiros goles percebemos um amargor bastante presente e uma agradável presença de gás. Prenúncio de uma interessante degustação e proximidade ao cenário inglês.




Agora se imagine nos anos 60, ouvindo "The Byrds" ou "The Monkeys"."Waterfall” traz a mente esta época, seja ela uma lembrança ou uma suposição. Enquanto isso a "Old Speckled Hen" apresenta uma interessante característica: rápida doçura inicial compensada por um amargor seco no sabor residual.

“Bye Bye Badman” e “(Song for My) Sugar Spun Sister” são músicas que me remetem à cena musical inglesa. Vocal calmo e presente, leve e intenso ao mesmo tempo, com uma “cozinha musical” que completa o universo sonoro. Mais uma vez o amargor da “English Pale Ale” chama a atenção, combinando perfeitamente com a imagem citada anteriormente.

“Made of Stone” traz à mente mais uma vez a bela influência do “The Byrds” enquanto “Shoot you Down” mostra que a parceria guitarra / voz está cada vez mais ajustada. Neste momento aprecie o aroma da cerveja britânica. Odores próximos a pães e ervas fazem uma agradável combinação e preparam os sentidos para a música final.

“I am the Ressurection” começa com uma bateria agressiva e uma guitarra mais uma vez participativa, sendo que o baixo e a voz nos envolvem junto à melodia e fazem do todo um belo encerramento. Para mim esta é a melhor música do álbum, principalmente pela diversão apresentada em sua segunda metade. A cerveja com teor alcoólico de 5,2% alc./vol agrada e se transforma numa parceira incansável da música de Manchester.




Viaje pelas sugestões da terra da rainha e bom divertimento!

Dicas e curiosidades:
* Deguste a cerveja com temperatura do líquido entre 5 e 7 °C.

* A tradução de Old Speckled Hen é “Velha Galinha Pintada. Esse termo era usado para se referir a um antigo carro produzido pela fábrica automobilística MG.

*A cerveja Old Speckled Hen, encontrada na garrafa de 330 ml, custa aproximadamente R$ 15,00.

*Já o álbum importado “The Stone Roses” pode ser encontrado por aproximadamente R$ 65,00.

* Em 2004, o jornal The Observer elegeu “The Stone Roses” o melhor álbum inglês de todos os tempos. O semanário NME já havia realizado uma votação e obtido o mesmo resultado.

* Waterfall e Don't Stop são praticamente a mesma música, sendo que a segunda é a primeira tocada de trás pra frente.

domingo, 31 de maio de 2009

Harmonização #1 - Maudite (Unibroue) com Twin Cinema (The New Pornographers)

Nesta minha primeira sugestão de “harmonização” (termo utilizado na indústria cervejeira para identificar os pratos da culinária e as cervejas que se combinam, de forma a que nenhum se sobreponha ao outro), selecionei uma cerveja e uma banda que possuem diversas características em comum. Ambas são pouco conhecidas do público em geral, são canadenses, são mais encorpadas, já receberam diversos prêmios e são classificadas como tendo alta complexidade. Aproveitem a harmonização da cerveja Maudite com o disco Twin Cinema da banda The New Pornographers.


A cerveja Maudite é fabricada pela Unibroue, uma companhia canadense de cervejas
especiais, fundada em 1991 e especializada na arte da produção de cervejas artesanais por métodos tradicionais. São cervejas com sabores, cores, texturas e estilos distintos, sendo todas de alta fermentação (tipo Ale) e refermentadas na garrafa. A Maudite possui notas de especiarias que evoluem na garrafa.

Já a banda The New Pornographers é um grupo indie de power pop vindo do Canadá. O grupo se formou em 1997 em
Vancouver e lançou quatro álbums até hoje: Mass Romantic (2000), Electric Version (2003), Twin Cinema (2005) e Challengers(2007). Entre os membros estão: Carl Newman (vocal, guitarra, sintetizador, xilofone, etc), John Collins (baixo, guitarra, sintetizador, vocal), Kurt Dahle (bateria, percussão, vocal), Blaine Thurier (sintetizador), Todd Fancey (guitarra), Dan Bejar (vocal, guitarra, sintetizador), Neko Case (vocal), Kathryn Calder (vocal, piano), Nora O'Connor (vocal).

O disco escolhido começa com a música título (Twin Cinema). Nesta já conseguimos ver sinais característicos da banda como a presença constante dos backing vocais numa espécie de “diálogo” com a voz principal (quase sempre o canto é dividido por ao menos dois vocalistas), guitarras marcantes e uma bateria irrequieta que chama bastante a atenção. Aproveite, vá à geladeira buscar a garrafa e coloque a cerveja na taça para início da degustação, pois a próxima música já está por vir.

Não use copos com boca fina. Prefira as taças de boca mais larga para a fim de que o aroma se desprenda mais facilmente durante a degustação. Recomenda-se que a cerveja do tipo Ale seja degustada em uma temperatura mais alta do que a que estamos acostumados a tomar as cervejas Pilsen (aproximadamente 8-12 °C).

The Bones Of An Idol começa doce, com a bela voz de Neko Case. Este é um ótimo momento para sentir o aroma e dar o “primeiro gole” da cerveja. Percebemos que ele desce macio na garganta apesar da alta graduação alcoólica. À medida que o piano se faz presente na música, a cerveja também revela seu lado forte e encorpado do sabor. O lado frutado se pronuncia e a gaseificação parece perfeita para o conteúdo da taça.

Use it
já começa no clima “diversão” que contagia a maioria do disco. O refrão reforça esta idéia com uma força e combinação perfeita das vozes. Os versos grudam na cabeça e te fazem mexer alguma parte do corpo. Nesta hora os goles acabam sendo maiores e menos compromissados com a “avaliação” da cerveja.



The Bleeding Heart Show
se inicia num momento mais introspectivo. Boa ocasião para degustar novamente a cerveja e perceber mais uma vez as características frutadas da cerveja. A segunda metade da música nos convida a mais um contato com a cerveja, enquanto a bateria e as vozes se sobressaem criando um ambiente especial.

A quarta música do disco me lembra bastante a assimetria do Pixies. Jackie, Dressed in Cobras também possui uma participação super especial do piano, marcante nas viradas. Momento de completar a taça novamente e fixar atenção em sua bela cor âmbar.

A música The Jessica Numbers chama a atenção pelos seus tempos e contratempos. A bateria é um show a parte. Mas não é uma música fácil de apaixonar na primeira vez que é ouvida. Algumas características da Maudite também não. Sua espuma é pouco consistente e desaparece rapidamente do copo.

These Are The Fables encanta novamente pela voz de Neko Case e pela bela parceria violão e piano. A terceira parte da música revela uma agradável surpresa com uma presença mais marcante da bateria e do piano. Um gole mais atento da cerveja também revela notas de cravo e um final de mais marcado pelo álcool (na medida certa).

Considero a Sing Me Spanish Techno a melhor música do disco (ao menos para o meu gosto). Esta faixa poderia fazer parte de um dos melhores discos que já ouvi (Grand Prix do Teenage Fanclub). Ela é divertida e faz a gente sentir vontade de sair correndo por aí (ou de tomar mais cerveja). As vozes se combinam facilmente e a guitarra é simples, mas ao mesmo tempo “Rock and Roll”, com um refrão excepcional. Independente do costume brasileiro de consumir cervejas mais geladas, neste momento a cerveja está com certeza dentro da temperatura sugerida e reforça as características para sua melhor degustação.



Falling Through Your Clothes
resgata o momento mais introspectivo e ao mesmo tempo com um belo refrão que faz o pensamento dar uma volta para passear e voltar mais leve. A cerveja faz o mesmo caminho na mente, reforçada mais uma vez pelo álcool marcante e o sabor bastante agradável e frutado.

Broken Beads
me lembra mais uma vez Pixies, mas desta vez apenas lembra. Bom momento para se refazer da “viagem” anterior e se preparar para a próxima música. Vamos encher novamente a taça.

Provavelmente nem todos gostarão da música Three or Four. Provavelmente nem todos gostarão da Maudite também. Mas uma coisa nesta música me conquistou. Como idéias de vozes, efeitos de guitarra, viradas de bateria tão diferentes podem se encaixar tão perfeitamente? Quanto à Maudite, como uma cerveja de 8% alc./vol. pode ter um drinkabilitty (como chamamos na indústria a capacidade de beber continuamente) tão bom.?

Star Bodies
chama atenção mais uma vez pelos vocais e pelo refrão. Sou suspeito pra falar, pois canto na minha banda. Mas a capacidade de complemento dos vocais da banda é impressionante. Parece que eles estão dialogando mesmo. Foi o que mais me chamou atenção. Mais um gole e um sabor aos poucos menos frutado e com predominância do cravo. Ainda assim muito saboroso.

Streets of Fire
mais uma vez aposta nos vocais. Bela música que poderia estar em uma trilha sonora de novela. Não sei se isso é bom, mas parece que ela foi feita para vender mesmo. Os último goles da cerveja ainda são saborosos e reforçados pela graduação alcoólica, fazem com que tudo pareça ótimo.

A música final, Stacked Crooked é diferente de tudo que vimos nas músicas anteriores. A cerveja Maudite também é diferente de cervejas que estamos acostumados a experimentar. Mas de vez em quando é muito bom variar!!! Boa diversão!!!

A última característica similar entre a cerveja e o disco é o preço. Como ambos são importados, o valor é alto em comparação aos demais. O CD Twin Cinema – Importado custa por volta de R$ 60. Já a cerveja Maudite, encontrada na garrafa de 750 ml (convide alguém para acompanhar a degustação), está aproximadamente R$ 50.

Sites Oficiais Recomendados:
The New Pornographers - http://www.thenewpornographers.com/
Microcervejaria Unibroue - http://www.unibroue.com/